Criação de Conteúdo

por jan 11, 2021Cofres Relicários, Experimental2 Comentários

Olá invocadores!

Iniciando o ano de 2021, voltamos a abrir o Cofre Relicário, caso você não saiba do que se trata, dê uma olhada nesse artigo do Luke sobre Criadores de Conteúdo.

Como um guia adicional para isso, encontrei esse artigo que já tinha sido escrito com esse objetivo (mas não tinha sido publicado ainda). Então nada mais justo do que editá-lo e publicá-lo para auxiliar quem deseja criar conteúdo em especial para o Cofre Relicário.


Criação de conteúdo parece até algo novo, especialmente em uma época tão digitalizada em que tudo que é lançado acaba tendo seu secto de fãs e seguidores, pessoas ávidas por novidades e que aos poucos começam a desejar contribuir de alguma forma.

Quanto ao Runarcana RPG, o mesmo está aberto ao apoio e a colaboração de Criadores de Conteúdo desde seu lançamento em 2018. Inclusive, posso dizer que o primeiro criador de conteúdo para o Runarcana RPG, foi o Luke Nitole, que hoje em dia é o co-criador do sistema.

Para quem não sabe, o Luke encontrou o Runarcana RPG na versão 1.0 e estava também criando um sistema de RPG para adaptar League of Legends para D&D 5ª edição nessa mesma época. Portanto, uso-o como exemplo aqui para que vejam que o projeto realmente abarca pessoas que queiram contribuir e, mais importante do que tudo, realmente coloquem a mão na massa!

Já temos uma iniciativa no Discord oficial do Runarcana RPG e nesse site, o “Criadores de Conteúdo” que busca recrutar pessoas interessadas em contribuir e participar disso. No entanto, pelo que tenho visto nos envios e nas discussões do canal dedicado a isso, muitas pessoas não tem uma completa noção de como é criar conteúdo.

Nesse vídeo onde reajo ao Cofre Relicário #003 falo bastante a respeito disso, embora seja um vídeo longo, recomendo que assistam a ele para conseguirem captar ainda melhor como fazemos as coisas aqui:

Para o Runarcana RPG, podemos dizer que existem três camadas de conteúdo, a camada de conteúdo Oficial, que é a inclusa no livro, camada “experimental” mas embasada, que é a publicada no nosso periódico “Cofre Relicário” que às vezes é publicado mensalmente junto á terceira, que é a camada totalmente “sonhadora”.

Para a primeira camada, o conteúdo oficial, as regras e as exigências são bem consideráveis, o conteúdo apresentado deve estar de acordo com a lore oficial de Runeterra, não são permitidas criações inteiramente novas e todo conteúdo oficial está sujeito a mudança caso a lore assim aponte.

Já para a segunda camada, a camada experimental, a exigência se dá um pouco abaixo do conteúdo oficial, apenas queremos coisas equilibradas, que possam ser totalmente originais ou até mesmo desvios e novas explorações do conteúdo oficial, bem redigidas e que procurem não afetar tanto a lore oficial.

Para a terceira camada são aceitos conteúdos com pouquíssimo embasamento na lore que são criados para que mestres possam usar isso em suas mesas sem muita rigidez quanto à lore.

Nesse vídeo, falo bastante a respeito da criação de conteúdo para o Runarcana RPG, confiram:

Ao primeiro olhar, fica parecendo que as exigências não são tão complicadas, inclusive alguns conteúdos do Runarcana RPG em sua versão oficial acabam não respeitando totalmente essa regra: Afinal, Bodisatva, Mercurial, Peregrinos… todas essas classes não existem de fato na lore oficial, são extrapolações feitas para que a lore possa conviver com o sistema.

Mas aí talvez você se pergunte: Se vocês já dobraram as regras da lore em algumas criações, qual é o problema em uma nova criação de outra pessoa dobrar um pouquinho mais? É importante notar que, embora algumas criações do Runarcana RPG não sejam canônicas, elas se apoiam em lacunas que existem nesse cânone.

Sobre Lore canônica, oficial e especulativa, sugiro que assistam a esse vídeo:

Basicamente, criar conteúdo com enfoque em algo oficial, é como fazer uma colcha de retalhos apenas com os retalhos de uma fabricante (ou de uma cor) mas como eles acabam ficando em falta, procuramos confeccionar novos retalhos que sejam o mais próximo dos que já foram usados, às vezes destoando um pouco, mas conseguindo se integrar ao todo.

O maior limitador são as pessoas envolvidas e o quanto elas pensaram nessas criações, quão fundo elas foram no desenvolvimento dessas ideias e como elas afetam todo o conjunto de regras e cânone estabelecido.

Ursine

Um exemplo que tomo aqui é algo que aparece semanalmente pelo menos uma vez como tema no servidor: Os URSINE!

Praticamente todas as semanas surgem pessoas que querem criar os Ursine, que querem disponibilizá-los como uma origem ou classe jogável. Ora, essa premissa se inicia de forma falha, pois o que é dito em lore oficial e canônica é que os Ursine seguem a Volibear e tem uma mentalidade coletiva, logo, não conseguem ser “indivíduos” totalmente.

Uma pessoa que queira criar os Ursine, fatalmente não conseguirá fazer uma criação que seja aceita para o livro oficial (e sim, isso é um desafio, caso você consiga, parabéns, traga essa ideia para nós) pois a premissa inicial já viola a lore em si. Um indivíduo que seja “Ursine” é uma contradição de acordo com a lore estabelecida.

Antes que citem a carta de Legends of Runeterra como uma exceção a isso, permitam-me parafrasear um Rioter, que disse o seguinte: “O nome do jogo é LENDA de Runeterra e não Histórias de Runeterra”. Isso deixa bem claro para qualquer um que as Lendas em questão são possibilidades tanto do passado, quanto do presente e quem sabe até, do futuro. Mas nem por isso se tornam oficiais.

Isso significa que jamais existirá Ursine como algo “jogável”? De forma alguma, afinal, não sabemos o que Riot tem guardado para eles, não sabemos se amanhã ou depois, uma atualização traga a informação de que eles podem sim ser indivíduos e que com isso eles têm o nível necessário de socialização e individualidade para poderem fazer parte de um grupo que não seja apenas de Ursine.

Apenas acho isso muito difícil e, como não é a realidade atual, isso impossibilita que a criação de “Ursine” venha a ser algo que entre no conteúdo oficial, que se encaixe com a primeira camada. Mas isso não invalida que os Ursine possam ser criados para o Cofre Relicário, algo que por si já sai das amarras do cânone.

Citei esse principal exemplo, pois a primeira pergunta que alguém que deseja criar conteúdo para o Runarcana RPG tem que fazer a si mesmo é a seguinte: O objetivo do meu conteúdo é se tornar parte do sistema oficial ou apenas um “homebrew” totalmente opcional e não oficial?

Se a resposta para essa pergunta for que sim, o objetivo é que esse conteúdo seja oficial, então essa pessoa deve ser o mais fidedigna possível à lore canônica. Para isso é necessário ler bastante, principalmente os conteúdos oficiais que estão no site do Universo, mas não apenas isso, uma visita a wikis pode ajudar bastante desde que haja o cuidado de filtrar o que ali é oficial e tem embasamento e o que ali é especulação.

Se a resposta para essa pergunta é não, então muitas amarras se perdem, a criação precisa ser bem feita, equilibrada e fazer algum sentido geral no universo de Runeterra, mas ciente de que muito provavelmente jamais será oficializada.

O segundo caminho é o mais fácil, mas nem por isso é fácil de fato. Somos exigentes, chatos e até irritantes, vamos trabalhar seu conteúdo ao máximo para que ele fique de adequado ao sistema como um todo e não seja alto extremamente aberrante. Nesse processo, inevitavelmente você conseguirá habilidades e conhecimentos que poderão facilitar sua criação caso você queira que ela seja oficial.

Esse caminho para conteúdo oficial é um caminho muito mais duro e potencialmente ingrato, pois as vezes você pode empenhar muito tempo e trabalho nisso para em algum momento dar de cara com alguma informação que contradiga o que você criou. Acreditem, é triste perder horas (talvez até dias) de trabalho por não ter feito sua pesquisa bem o suficiente.

Outro erro comum que acontece com alguns criadores de conteúdo é que eles acabam pensando em coisas grandes ou complexas demais ao invés de iniciarem o trabalho com coisas menores, mais simples e que darão a eles as habilidades e conhecimento necessários para que desafios maiores não destruam seus sonhos.

Tomo aqui por exemplo um documento que veiculei internamente no Runarcana RPG chamado “Criação de Classes”. Esse documento se fez necessário por mais de uma vez surgirem pessoas com ideias para classes novas, no entanto sob um olhar mais frio e direcionado, mostraram que não era aquele o caso.

Copio abaixo esse documento, embora ele se trate especificamente da criação de classes, seu entendimento pode facilitar muito a compreensão e a assimilação do que é necessário para criar conteúdo com o objetivo de ser oficial:

Criação de Classes

Todas as classes do Runarcana RPG foram criadas tendo em mente alguma função. Elas foram em sua maioria criadas utilizando as classes padrão da 5e como base e mexendo em alguns conceitos para torná-las mais próximas de Runeterra e um pouco mais genéricas.

Todas as classes tem um conceito por trás delas, de algo que a conecta não apenas a um campeão mas a outros. Elas são formadas com ideias genéricas que margeiam aquele conceito inicial.

Ao pensar em criar uma classe primeiro se faça as seguintes perguntas:

1. Qual é o conceito dessa classe? 

Toda classe precisa ter um conceito, o combatente por exemplo é alguém que se empenha em se tornar cada vez mais hábil em combate, com uma arma ou estilo de combate, já o Bodisatva é alguém que busca aprimorar o seu corpo em harmonia com seu espírito ou mesmo o Arcano, que é alguém que possui magia e a desenvolve através de estudo ou do próprio auto-fortalecimento

2. Qual é a lacuna que eu encontrei e que a criação dessa classe preenche? 

Classes são peças imensas na construção do bloco lógico de um sistema, elas podem afetar todo balanceamento de equilíbrio se não tiverem uma concepção adequada. Qual foi a necessidade de se criar os Acólitos? Em Runeterra a magia “divina” emana não de divindades, mas do poder coletivo das crenças, algo bem diferente de como funcionam os Clérigos.

3. Estou realmente criando uma classe?

O que faz a sua criação precisar ser exatamente uma classe? Ela tem algum sistema interno que a inviabilize de ser uma subclasse? Ela faz algo muito específico e que ainda não é coberto por nenhuma classe independente do nível de especialização da mesma nisso?

4. Isso não se enquadraria mais como uma origem ou uma Runessência?

As Classes podem ser vistas a grosso modo como “uma profissão”, um banqueiro é profissão, entregador de jornal é profissão. Nascer rico não é uma profissão, ser alto não é uma profissão, ser de uma origem diferente não é uma profissão.

5. Quão genérica ela é que possa existir em mais de um lugar ao mesmo tempo? 

Embora o Bodisatva seja originário majoritariamente de Ionia, nada impede que um monastério seja erguido em Shurima ou em Águas de Sentina. Todas as classes são viáveis em qualquer lugar do mundo por serem “respostas” a necessidades que são comuns a todas as regiões, independente do nível dessa necessidade.

6. Minha criação não ficaria melhor  como uma subclasse?

Se a sua classe é feita de alguém que luta com uma arma e lança feitiços específicos, ela não se enquadraria melhor como uma subclasse de Combatente como o Centurião Rúnico? Ou ainda, não seria uma nova origem mágica que se enquadra como Arcano Intuitivo que consegue extrair forças mágicas ocultas do metal de sua arma?

7. Qual é o recurso único dessa classe que a difere das outras?

O Acólito possui a magia divina e o eflúvio, o Peregrino possui sua relação com a história e os campeões do passado, bem como sua ligação com os Mipes e o Bardo, todas as classes tem algum recurso essencial para sua existência que faz com que elas sejam realmente diferentes umas das outras.

Muito provavelmente as respostas a essas perguntas não serão satisfatórias, o que deve levar você a perceber que o melhor é talvez criar uma nova Subclasse, as subclasses são espaços excelentes para se desenvolver novas ideias por terem pequenos espaços (slots) onde nova habilidades e características podem ser inseridas, respeitando o conceito geral da classe e diferenças de poder concernentes aos níveis respectivos.

Recomendo adicionalmente a leitura desses dois links:

Unearthed Arcana – Modificando as Classes

Quando você quer criar uma Classe


Conforme pode ser visto nessas dicas e “regras” a busca pela criação de algo oficial não é apenas “para a diversão” mas sim uma resposta a uma pergunta que surge com alguma necessidade do sistema, seja para acolher alguma campeão novo ou mesmo alguma informação que venha à luz.

De forma alguma queremos desencorajar novas criações, mas assim como os que vieram antes de vocês (novos criadores), nossas exigência são altas, para que o conteúdo criado seja tão bom quanto. Um conteúdo criado sem capricho certamente seria uma perda tempo para que o público e para quem o lê, percebendo que não foi feito com uma real vontade de fazer algo incrível.

Arquivo de Exemplo

Abaixo está um arquivo utilizado para padronizar as criações de conteúdo e suas formatações:

Exemplo

2 Comentários

  1. Lucius

    Cara não olhei o novo PDF quanto ao caçador, mas pq não fazer algo pro caçador como o bloadhunter que o mestre do D&D que me falha agora criou?? Seria uma variante lá um caminho legal a se oensar, pois o WW se encaixaria nesse conceito de virar monstro para caçar um

    Responder
    • Arddhu

      Fala Lucius, já ouvi falar do bloodhunter mas nunca li. Mas da uma olhada no caçador pq ele sofreu algumas alterações de leve.

      Responder

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